terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Que absurdo é o Carnaval… ops, talvez não!


Num dia desses, em um grupo de WhatsApp em que estou inserido, surgiu uma discussão: “como vocês podem postar tantas piadas, falar tanto de futebol, com o país deste jeito?”. Essa “bronca” veio de um colega que solta vários links, vídeos e reportagens por dia, com tema político. Ele, claramente não escrevia mais nada a não ser isso!

Esse episódio iniciou um debate ali mesmo sobre o quanto seria saudável falarmos sobre amenidades, entretenimento, esportes ou qualquer outra coisa supérflua em época de crise. Mais ainda, questionou-se que seria um absurdo tanta gente parar de trabalhar e viajar no Carnaval… “Cadê a crise?” – perguntou um deles. Aqui vou escrever a minha reflexão pessoal.

O Carnaval é uma festa popular que emenda o feriado. Algumas pessoas o antecipam em uma semana e há estados brasileiros que praticamente param para receberem seus turistas nesta época. Para alguns comerciantes, esses feriados prolongados são lacunas na produção, mas para outros que vivem do turismo, a festa traz uma produtividade enorme. Criticar a diversão numa festa folclórica brasileira pelo fato de o país estar em crise é quase que forçar um luto, um “toquem de recolher” ou de “proibido se divertir porque o país passa por isso ou aquilo”, quase comparado a tradição de antigamente, quando a sociedade conservadora exigia que uma viúva se vestisse somente de preto.

Considerada “fútil” por alguns, a indústria da moda movimenta uma parcela enorme do PIB brasileiro. O futebol vende camisas, artigos esportivos e gera empregos diretos e indiretos. Motociclistas, roqueiros, frequentadores de rodeio também tem o seu papel na economia e até artigos religiosos são explorados comercialmente pelos seus fabricantes. Então, qual o mal de, uma vez por ano (se você tiver dinheiro pra isso), desligar-se do mundo e curtir o carnaval?

Preocupe-se sim com os assuntos importantes, como economia e política, mas não deixe de viver e se divertir. Do contrário, se a crise durar mais do que o esperado, no final você perceberá quanto tempo perdeu também sem produzir e sem ser feliz. Pior que isso é que, quando ela realmente passar, você estará desatualizado do mundo (porque tudo pelo que se dedicou durante anos foi reclamar do governo) e muito provavelmente viverá por algum tempo um vazio existencial, que nem mesmo o Carnaval será capaz de preencher.

Postado originalmente em 09/02/2018, por Aguinaldo Oliveira em Portal Novo Dia.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Você está esperando a crise passar?


Crise é uma palavra forte e muito conhecida do brasileiro. Nós já vivemos várias, desde a do Café no início do século passado, até as inflacionais dos anos 80 e 90.

Em 1986 tivemos o congelamento dos preços implementado pelo governo Sarney, tentando em vão segurar a inflação. Em 1989, Fernando Collor de Melo foi eleito com a mesma missão e causou vários infartos ao reter todos os investimentos bancários, inclusive a “garantida” caderneta de poupança.

Sem resultados, a inflação chegou a quase 100% ao mês, somente contida pela implementação do Plano Real em 1994. Até então, porém, havia muita insegurança e o mercado aprendeu a trabalhar com a URV, Over Night, para só depois de um bom tempo experimentar alguma paz. Ainda assim os anos 90 ficaram marcados pela fragilidade, com interferência do FMI e pelas expectativas (boas e ruins) da entrada de um governo de esquerda, que já se desenhava.

Mas a coisa deu certo. Tivemos cerca de 10 anos de paz econômica no embalo dos BRICs e nem mesmo os escândalos do mensalão puderam conter os ânimos dos investidores. A população se acostumou a consumir e o Brasil cresceu e teve a sensação de ser “primeiro mundo”, somente desfeita após a perda do controle em meio a grandes eventos esportivos e graves denúncias de corrupção no governo.

É óbvio que está não é uma coluna de economia e sim de comportamento. Portanto, tudo que falamos até agora foi pra dizer que a geração que hoje tem menos de 35 anos não sabe o que é crise porque era muito jovem quando a última aconteceu e, talvez até por conta disso, não sabe tão bem lidar com ela.

O fato é que somente podemos vencer uma crise com muito mais intensidade e diversidade de trabalho e, para criar e trabalhar precisamos estar animados e motivados, buscando um sonho (um ideal). Não se cresce reclamando da vida, nem do patrão e nem do governo. Ficar na inércia ou na especulação esperando a crise passar para voltar a investir e trabalhar é um erro que não resolve a vida de quem especula nem colabora com quem trabalha. Já o cara que “pega o touro a unha”, assume a responsabilidade e vence, desenvolve uma força extra que não perderá jamais, chamada “auto-confiança”.

Em resumo, motive-se, sonhe e trabalhe. Mas faça isso agora! Seja também um agente transformador. Porém se você, ao contrário disso, está esperando a crise passar para voltar à vida, fique tranquilo, ela vai passar. Mas talvez, por sua própria culpa, não passe para você.


Postado originalmente por Aguinaldo Oliveira em Portal Novo Dia.