sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

No ano que vem, você será sujeito ou predicado?


O mundo ocidental está em contagem regressiva. A expectativa da chegada de um novo ano faz com que mudemos o nossos sentimentos e com isso temos a sensação da renovação. É como se começasse tudo de novo, com a possibilidade de fazermos diferente. De termos melhor sorte, de seguirmos ventos mais promissores e muito mais. Aliás, se não fosse por um detalhe, eu diria que este sentimento seria maravilhoso.

E qual o detalhe? É que o fato de acharmos que o ano novo irá mudar a nossa vida, faz com que fiquemos escravos dele. Se até um determinado momento de 2018 as coisas não estiverem do jeito que queremos, tudo se perde e nos damos conta que talvez tenhamos passado a virada com a roupa da cor errada e por isso não estamos felizes.

Reparem que tendemos a “cantar de galo” sempre que estamos bem e, da mesma forma, costumamos culpar os outros (o governo, a sociedade ou até o universo) quando não conseguimos o que queremos. Isso pode ser percebido nas nossas palavras cotidianas, que nos colocam em posições diferentes conforme o desafio que encaramos. Tanto a Neurolinguística quanto a psicanálise se baseiam muito nisso: na palavra.

Imagine um sujeito cheio de força e confiança, o que ele diz? Te olha no olho e declara: “eu fiz, eu faço e continuarei fazendo! Eu escolho a vida que quero”. Se nos lembrarmos das aulas de Português, poderíamos dizer que ele se coloca como o sujeito da frase, como o senhor da situação. Mas este mesmo sujeito, quando tem resultados ruins, se esquiva e diz que “as coisas não deram certo para ele”. Neste último exemplo, aquele mesmo valentão acaba de virar predicado, sem ter absolutamente nenhum controle de seu insucesso.

Se levarmos ao pé da letra e analisarmos sintaticamente, aquele que põe a culpa em outro, em alguns casos nem predicado é, afinal se exclui das frases, como se não tivesse nenhuma responsabilidade pelo que acontece. Apenas se lamenta dizendo: “o meu ano não foi bom!” e com isso se isenta e chora. Mas há mais de um século atrás Freud já dizia que “uma mudança de comportamento somente seria possível por meio da palavra, devolvendo a ela o seu feitiço original”. E o que ele quis dizer com isso? Que o sucesso, antes de estar em suas mãos, está em sua boca e em sua mente. Dessa forma, antes de cantarolar frases despretensiosas, escolha as palavras e a posição em que quer estar em sua vida: se no controle da oração ou se como coadjuvante nela.

Independente disso, lhe desejo um Feliz Natal e que venha 2018!


Postado originalmente por Aguinaldo Oliveira em 26/12/2017 em Portal Novo Dia.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

O controle das massas através de boatos.


Quando comecei a fazer palestras a respeito das diferenças entre as gerações em 2011, uma das coisas que discutíamos na época era a capacidade das pessoas mais jovens se defenderem das crendices populares. Aquilo que acontecia muito com a minha geração (os X), quando nossos pais e avós diziam para não fazermos determinadas coisas nos colocando medo, tenderia a não acontecer mais simplesmente pelo acesso à informação em tempo real.

Porém, naquela época, ainda não sabíamos o comportamento que teriam os baby boomers e os X diante de tanta mudança. Então os anos se passaram e o que se notou é que rapidamente a Geração X se reciclou, buscando o domínio da tecnologia e os BB tentaram fazer a mesma coisa, porém com um pouquinho mais de demora.

Aliás, imitar os mais jovens é uma tendência de todas as gerações, afinal todos querem se sentir jovens. Inicialmente se critica muito as quebras de paradigmas, mas depois, quando os críticos percebem que a mudança é inevitável, vem aquele sentimento de “juntar-se a eles”. Isso tudo é sadio e eu acredito mesmo na modernização das gerações… O problema é que algumas pessoas atualmente, ao invés de usarem as facilidades da “era Google” para se livrarem das idiotices inventadas, elas as utilizam para replicar e fortalecer boatos.

Pessoas para alimentar as “teorias da conspiração” estão sempre prontas. Replicar uma postagem de um desconhecido como se fosse a verdade mais verdadeira do mundo é comum e constante nas redes sociais. WhatsApp e Facebook são as ferramentas mais usadas para o reforço das “verdades convenientes”. Normalmente, essa imaturidade digital vem dos seus usuários menos experientes, os mais velhos de idade e que começaram agora a correr atrás da tecnologia. Mas por incrível que pareça, há também uma infantilidade nos “millenials” ao compartilharem notícias de fontes não seguras apenas por elas serem boatos que convém as suas ideologias individuais.

Aliado a isso tudo, a baixa escolaridade e falta do hábito da leitura também faz com que as gerações Y e Z caiam nesta pegadinha assim como seus avós. E quem pode mudar isso? Eu e você, independente de nossa faixa etária. Basta que simplesmente não acreditemos em tudo que vemos na internet e antes de replicar ou “botar a boca no mundo”, avaliemos se aquilo faz sentido e se é verdadeiro. Afinal, se você usa a internet para ter voz e sentir-se livre, lembre-se que contar com firmeza aquilo que ouve por aí pode ser a forma mais jurássica de controle da massa e você talvez esteja sendo vítima dela.


Postado originalmente por Aguinaldo Oliveira em 18/12/2017 em Portal Novo Dia.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Não tenho tempo para ter depressão!


É comum ouvirmos essa frase em conversas informais. Embora, de alguma forma ela pode fazer sentido (refletiremos sobre isso mais à frente), também é óbvio que só quem a repete é quem nunca viveu este fantasma.

Depressão é considerada a doença do século. Isso não significa que não existia antes, mas apenas que não vinha à tona e nem era tratada. No entanto, de alguns anos pra cá, tem sido reconhecida pelas pessoas comuns, ou seja, amigos, colegas de trabalho e familiares.

Ela se manifesta por inúmeros fatores, inclusive por tendência genética. Porém pode haver gatilhos no dia a dia que iniciem um processo sintomático. E quando isso acontece, quem se aproxima quer ajudar tentando “botar o cara pra cima”.

Dizer pra uma pessoa deprimida que ela deve se motivar não tem efeitos positivos. Fará apenas com que o sujeito se feche ainda mais, reforçando a ideia de que é incompreendido. Por outro lado, a empatia e a solidariedade abrem os canais de comunicação, permitindo estabelecer confiança.

Clarisse Lispector já citava o silêncio em seus textos como um grande tormento, fato que nos lembra que mente vazia é a oficina do diabo. Portanto, buscar outras atividades e desviar a atenção pode fazer a mente trocar de canal. Se nossa mente sintonizar o “canal do Datena” vai somente pensar coisas ruins.

É comum o sujeito em depressão ter insônia e pensar nos problemas no meio da noite, sonolento, estado em que a mente mais absorve as “nossas verdades”. Esse pensamento negativo é causa e consequência da doença e a sua continuidade reforça ainda mais esse mal.

Se entreter com boas leituras, atividades recreativas e ações prazeirosas ajudam na recuperação. Normalmente, a situação real não é tão ruim quanto o cara imagina, até porque ele antevê possibilidades catastróficas que não necessariamente acontecerão. Ou seja, são apenas riscos e não realidade, mas como a mente não diferencia o pensamento e a realidade, o sofrimento é intenso.

Na prática, o melhor a ser feito é procurar ajuda profissional. Mas seja qual for o tratamento utilizado, não deixe de “trocar de canal” e tentar não oferecer seu tempo, de graça, para ter depressão.

Postado originalmente por Aguinaldo Oliveira em 12/12/2017 em Portal Novo Dia.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Amigos: muitos e bons!


Não há nenhum erro de digitação no título, é isso mesmo! Embora você esteja acostumado a ler algo diferente, levando a crer que precisa ter poucos amigos desde que eles sejam fiéis. Este texto busca mudar a sua opinião, afinal, absolutamente, não há necessariamente nenhuma relação entre a qualidade e a quantidade.

Talvez as pessoas pensem isso porque quem tem muitos amigos certamente não tem tempo de ver a todos. Mas também é mito acreditar que para um amigo ser bom ele precisa se encontrar conosco semanalmente. O amigo pode ser verdadeiro mesmo sem nunca ter ido a sua casa. No século XXI pode ser, inclusive um amigo virtual.

Tem os que somente consideram amigos os que pensam igual. Pra ser meu amigo o cara precisa votar no mesmo partido, ter a mesma religião, gostar do mesmo tipo de música… mas aí você está exigindo uma cópia sua e deixando de observar que as pessoas têm o direito de ter seus livres pensamentos e que o amigo deve respeitar isso. A diversidade de ideias somente enriquece o debate e a sua cultura.

Evitar pessoas por timidez é totalmente aceitável e devemos respeitar esse comportamento. Porém é importante dizer que o fato de alguns não se sentirem bem ao lado de pessoas não tão íntimas não significa que deve se afastar totalmente delas. Basta mante-las em seu ciclo e ter o mesmo desejo de ajudar quando sentir que pode.

Para ter muitos amigos e ainda assim manter os bons, você pode até definir suas relações por classes. Não precisa por no caderninho e nem nominá-los, embora seja natural que você se identifique mais com uns do que com outros. Faça a sua parte e seja solidário com todos sem pensar em levar nada em troca. Agindo assim, no momento do aperto, sempre haverá alguém para te estender a mão.

Deseje sempre aumentar o seu networking. Como diz Roberto Carlos, você pode ter um milhão de amigos, desde que tenha um coração grande para que todos caibam e uma exigência tolerante, para não julga-los pelos seus conceitos.

Se quer ter uma boa rede de relacionamento, Não faça as famosas “faxinas” nas suas redes sociais. Quando você precisar, a ajuda pode vir de quem pensa completamente diferente de voce. Esse alguém pode ser o cara que você menos espera, mas que você manteve em sua listinha… e que talvez nunca tenha visto pessoalmente.

Postado Originalmente em 04 de Dezembro de 2017, por Aguinaldo Oliveira em Portal Novo Dia.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Consulte sempre um especialista


O mundo de hoje deixa as pessoas muito confusas. Existe técnica para tudo… Técnica pra vender, técnica pra não comprar, pra influenciar, pra liderar, pra negociar e pra um monte de coisas que a gente nem imagina. Além disso, há muitos boatos publicados irresponsavelmente na internet… “10 motivos para você nunca mais consumir tal comida” ou “Especialistas condenam tal hábito”. E o pior é que na maioria das vezes as pessoas acreditam e replicam, emprestando a sua credibilidade à um artigo que não tem nenhuma.

Além disso, as pessoas têm padrão de comportamento diferente, seja pela sua idade e em decorrência dos costumes de sua geração, seja pela sua personalidade mais metódica, executora, racional ou agregadora. Essas diferenças comportamentais são responsáveis pela maioria dos conflitos familiares, corporativos ou mesmo no condomínio, rua ou comunidade onde você mora. Porém, quando queremos buscar um resultado elevado de vida, não podemos ficar esperando que “as coisas” deem certo ou que elas se encaixem sozinhas, mas sim precisamos encaixa-las.

E a melhor forma de fazer isso é emprestando o conhecimento de pessoas que já passaram por aquilo e se deram bem. Pessoas que estudaram, que executaram e, principalmente, que trazem resultados positivos naquilo que queremos fazer, seja na escola, na faculdade, na profissão ou mesmo no nosso relacionamento pessoal. Há trabalhos sérios com profissionais treinados para isso.

Especialistas são os advogados para o direito, os psicólogos ou coaches para o comportamento, os profissionais de recolocação para ajudarem numa eventual mudança de carreira ou empresa, assim como há especialistas para treinamento em diversos setores das organizações, que podem ajudar o empresário a formar uma equipe de mais alta performance.

De uma maneira geral, o tempo que se perde tentando acertar os resultados pela “tentativa e erro” é muito mais caro do que o honorário que se paga a um especialista para ele te acompanhar e ensinar a fazer. A teoria do “faça você mesmo” somente é interessante se ainda houver tempo ou recursos para consertar o que eventualmente saia errado. Mais seguro que isso é aprender com quem sabe pra poder fazer ou replicar corretamente, se tiver tempo e desejo. Se não, continue consultando sempre um especialista.

Postado originalmente por Aguinaldo Oliveira em 21/11/2017 em Portal Novo Dia

sábado, 9 de dezembro de 2017

A sensação de insegurança é maior que a insegurança


Histórias de violência a gente ouve todos os dias. Notícias de crimes, conflitos, guerras estão cada vez mais na mídia. Mas a pergunta é se realmente o mundo está mais violento ou se o alcance da informação que está mais eficiente.

Quando falo em informação, além de noticiários, percebam que o cidadão de hoje carrega consigo um aparelhinho igual a este que você está manipulando ao ler esta crônica. Seja um notebook, um tablet ou um smartphone, é quase que certo que ele te acompanha pra todos os cantos onde você vai. O Facebook mostra em tempo real quem morreu, o grupo do WhatsApp traz um boato que corre há anos na internet como se fosse verdadeiro e fresquinho… e o pior: as pessoas acreditam e replicam. Ouvi do meu amigo Clebio Mach que “a maior guerra que vivemos hoje é a da informação, que traz mentiras com reluzentes roupas de verdade”.

O Smartphone é o novo canivete suíço, que substitui quase todas as outras ferramentas: despertador, calculadora, câmera, horóscopo, previsão do tempo e inclusive faz ligações telefônicas. Não há mais paz. Não há mais cochilo da tarde, pois o “zapzap” apita e te desafia a ver o vídeo da motocicleta pegando fogo. A noite, o celular ficará carregado na tomada ao lado da cama, sensível a qualquer tremidinha. O seu chefe irá te achar, o seu cliente poderá reclamar, a notícia ruim tende a chegar. E se não chegar você ficará nervoso também, tentando, que nem um doido, atualizar a página… Se o homem já dormia de olhos abertos na idade média, por conta das expectativas de uma invasão, imagina agora, que a invasão é virtual…

Há momentos em que o melhor a se fazer é desligar… Desligar todos os aparelhos da casa, desligar as redes sociais, desligar da roda de fofoca do condomínio e, principalmente, se desligar e se destrair… seja na piscina do sítio em um final de semana ou no churrasco na laje, com os amigos do peito, onde a única coisa que merece ser ligada ainda não foi substituída pelas funções do iPhone, que é a churrasqueira.

Postado Originalmente por Aguinaldo Oliveira em Portal Novo Dia